CORA COLARINA- POR NINI ARAUJO

Amigo

Vamos conversar
Como dois velhos que se encontraram
no fim da caminhada.


Foi o mesmo nosso marco de partida.
Palmilhamos juntos a mesma estrada.

Eu era moça.
Sentia sem saber
seu cheiro de terra,
seu cheiro de mato,
seu cheiro de pastagens.

É que havia dentro de mim,
no fundo obscuro de meu ser
vivências e atavismo ancestrais:
fazendas, latifúndios,
engenhos e currais.

Mas… ai de mim!
Era moça da cidade.
Escrevia versos e era sofisticada.
Você teve medo. O medo que todo homem sente
da mulher letrada.

Não pressentiu, não adivinhou
aquela que o esperava
mesmo antes de nascer.

Indiferente
tomaste teu caminho
por estrada diferente.
Longo tempo o esperei
na encruzilhada,
depois… depois…
carreguei sozinha
a pedra do meu destino.

Hoje, no tarde da vida,
apenas,
uma suave e perdida relembrança.

Por Nini Araujo

 

NINI ARAUJO

Sou uma jovem com 83 anos, muito entusiasmada com a vida, com mudanças que essa vida maravilhosa nos proporciona, admiradora do belo, principalmente do ser humano que me encanta ou entristece todos os dias! Tenho meus filhos, netos e bisnetos todos fora do Brasil, razão pela qual viajo muito por este mundão tão fascinante. Sou casada com um jovem de 85 anos, meu companheiro e amigo de todas as horas.

Adoro me vestir e me cuidar- tenho estilo próprio – gosto de bijuteria fina e diferente, enfim, tudo que é belo e faz bem à alma de uma mulher!

 

 

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