Tampinha do Bem: pequenas atitudes, grandes transformações
Uma pequena tampinha pode colocar uma grande rede em movimento.
Tudo começa quando alguém decide não simplesmente descartá-la.
Ela começa a circular.
De pessoa em pessoa, de instituição em instituição, aquilo que parecia apenas uma pequena tampinha passa a fazer parte de algo muito maior.
Foi esse um dos aspectos que mais me chamou a atenção ao conhecer mais de perto o Programa Tampinha do Bem, desenvolvido pelo SindiplastES, no Espírito Santo.
Os números ajudam a dimensionar essa mobilização: 80 toneladas de tampas recicladas, 700 ecopontos espalhados pelo Espírito Santo, 48 cidades participantes, mais de 200 mil pessoas impactadas e R$ 120 mil destinados a causas sociais.
Mas gosto especialmente de olhar para o que existe por trás desses números.
No Hospital Evangélico de Vila Velha, 2,5 toneladas de tampinhas se transformaram em recursos para cadeiras de rodas destinadas a pacientes. Em outra mobilização, padarias de Vila Velha reuniram cerca de 120 quilos de tampinhas, com recursos destinados à causa animal.
É aí que uma pequena tampinha deixa de ser apenas um resíduo e passa a contar uma história de economia circular, solidariedade e participação.
Uma cadeia de pessoas
Quem consome não é necessariamente quem recolhe.
Quem recolhe não é quem separa.
Quem separa não é quem transporta.
Quem transporta não é quem transforma.
Cada elo importa. E ninguém, sozinho, completa o ciclo.
Foi justamente nessa cadeia de colaboração que encontrei uma conexão com a longevidade.
Em uma sociedade cada vez mais longeva, diferentes gerações carregam conhecimentos, experiências e competências distintas. O desafio está em criar espaços para que essas competências se encontrem e continuem circulando.
Se a economia circular nos ensina a evitar o desperdício de recursos, a longevidade nos convida a enfrentar também o desperdício de conhecimento, experiência e potencial humano provocado pelo idadismo.
O plástico é vilão?
Quando vemos resíduos plásticos descartados inadequadamente nas ruas, praias, rios e mares, é fácil transformar o plástico em vilão.
Gilmar Almeida Nogueira, Superintendente Executivo do SindiplastES, nos convida a ampliar esse olhar:
Veja a reflexão de Gilmar Almeida Nogueira
Talvez o desafio não seja viver sem o plástico, mas aprender a conviver com ele de forma mais consciente, responsável e sustentável.

Maria do Carmo Cunha (Madis) é socióloga e
Consultora em Comunicação e Longevidade,
fundadora do Envelhecer com Estilo®.
Atua nas áreas de Economia Prateada,
intergeracionalidade, diversidade etária e
combate ao idadismo, tendo a escuta ativa e
a empatia como bases de seu trabalho.
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