A HORA DA VIRADA – POR- LIVIA KINDLMANN

O ano de 2020 está longe de ser o ano dos sonhos de qualquer pessoa. Por mais que não tenha sido tão ruim para alguns, só a dor e a tristeza que assolou e assola a muitos já nos dá vontade de voltar no tempo e ter “pulado” esse ano.

Comecei o ano com uma lista de planos, desenhadas em ferramentas modernas de como, quando, onde e tudo o que tinha direito. Eram projetos pessoais, profissionais, projetos para o nosso grupo de mulheres, “até” a saúde tinha seu espaço na frívola agenda de 2020. Antes mesmo que boa parte disso acontecesse, fomos surpreendidos pelo Coronavirus.


Parou tudo! Parou escola das crianças, pararam os projetos em andamento, parou o futuro!

Como foi difícil lidar com tudo isso!

Quem não surtou, não reagiu de forma negativa, não chorou, não viveu esse tempo.

Mas lá se foram 5 meses e a vida, de um jeito que não é normal está aí, acontecendo, ela não parou. Percebi que estava me convidando a abandonar todos os projetos, a olhar para outro lugar, um lugar lindo, mas quase esquecido. Me convidou a olhar para dentro de mim.

Hesitei: é sério que é isso que temos para esses tempos? Me perguntava indignada.


Depois de muita insistência, aceitei o seu convite e desci para o baile com ela, fui do meu jeito: sem um vestido de festa, sem maquiagem, cabelo despenteado e de chinelo, aceitei a dança. E nessa dança, inusitada, descobri que tinha muita coisa dentro de mim que não mexia, outras que não sabia. A maior surpresa foi encontrar no meu porão ferramentas, recursos e tudo o que eu precisava para enfrentar e encarar esses momentos.

E depois da dança, voltei mais forte. Com outros óculos, aceitando a vida como ela está, mas acima de tudo, me comprometendo a viver da melhor forma, participando, construindo evoluindo. Descobri novos caminhos, os que jamais pensaria no começo do ano. Tracei novas metas todas a curto prazo: Uma para hoje, outra para amanhã e assim colocando tijolo por tijolo, vou vendo por novas perspectivas, vou fazendo novas escolhas e o olhar agora é para dentro. Me sinto mais autêntica, mais viva, porque não mais poderosa, sabendo o que quero, traçando para onde vou, aceitando meus limites e sabendo que por mais que não tenha o controle de nada, tenho a chance de decidir a cada momento como vou tratar as coisas que me acontecem.

Penso que todo ser humano tem dentro de si esse potencial: o de escolher o caminho que vai seguir, mesmo que a vida pareça na contramão de tudo e acima de tudo acredito que não precisamos de um novo ano, uma nova virada para recomeçar e nos reinventar. Já é o suficiente para retomar a vida do ponto que for, do jeito que for.

Para mim a hora da virada foi olhando para dentro, foi querer a mudança, foi estar disposta a desapegar daquilo que eu era, do que tinha e dos meus planos. Acabei descobrindo muito mais nessa jornada e sei hoje que irei mais longe do que já planejei um dia porque há “mais esperança nos meus passos”.

Lívia Kindlmann

Espiritualidade,Paliativista,Autoconhecimento,Finitude,Palestrante

Instagram: https://www.instagram.com/livia_kindlmann_psico/

 

 

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