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10 DICAS PARA ENVELHECER MELHOR E COM ALEGRIA

10 DICAS PARA ENVELHECER MELHOR E COM ALEGRIA
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1ª Pare de querer reproduzir no seu atual momento de vida aquilo que você veio fazendo antes e que dava certo.

Por exemplo, reunir os filhos em torno de sua mesa no mesmo dia e horário. Não se sustenta mais a figura do patriarca e da mãe servindo comida quentinha. Esqueça principalmente como se faz cara feia quando filho ou neto chega atrasado. Toca em frente. Almoço, lanche ou jantar. Eles são da geração micro-ondas ou forninho. Você é da geração forno à lenha. Fogão a gás já era tecnologia bastante avançada, quando você nasceu. Nem geladeira que produzia gelo nós tínhamos, quanto mais freezer.

Se antes você tinha uma grande sala de estar, talvez agora você só precise de duas confortáveis poltronas para receber bem. Quanta gente, mesmo, aparece para visitar? Grandes sofás podem ser perfeitamente substituídos por poucas poltronas mais leves e graciosas.

2ª. Não insista em oferecer a filhos e filhas, netos e agregados suas louças preciosas, porcelanas e cristais, pratarias e quinquilharias que requerem cuidados.

Nem eles, nem as empregadas – ôps, secretárias do lar – terão tempo para cuidar como você cuidava. Lustres de cristal requeriam pelo menos dois dias, para montagem e desmontagem na limpeza a álcool, lembra? Pratarias, então, haja força nas mãos e braços. Talheres e baixelas, bandejas e jarras, açucareiros, toalhas bordadas e adamascadas, tudo isso já se foi.

Eles querem coisas práticas. Solução: ofereça uma única vez. Duas no máximo. Quem quiser virá buscar e vai ficar feliz da vida. Ainda há quem preze heranças de família. Entregue, pois, em vida. Agora mesmo, se possível. Tire do rosto a sua expressão de desagrado e chateação quando eles lhe disserem não. O ‘não’ deles equivale ao ‘não’ que você daria se sua mãe quisesse lhe entregar de presente um ferro às brasas para passar roupa, mais um escovão! Lembra?

Doe – tudo aquilo que você já não usa mais – para bazares e para noivos que estão montando suas casas. Agradeça pelo desfrute e ponha para circular. É bem visto, em vez de ‘gastar os tubos’ em chocolates (que nem sempre fazem bem à saúde) ou buquês de flores, pegue um de seus pertences, coloque uma rosa, uma orquídea dentro e leve consigo ao fazer uma visita cordial.

 

 

3ª. Largue seu carro na garagem. Já.

Pode conservar consigo, se quiser ter por ter, para a hora que precisar, por exemplo, numa emergência e olhe lá. Nós idosos nos descompensamos muito com impactos emocionais e o nosso tempo de recuperação do equilíbrio anterior, quando passamos por um susto é muito mais lento. Para que se desgastar?

Nossa geração se habituou a se sentir mais dona de si e poderosa com as mãos no volante. Dirigir bem era conseguir não dar soquinho nem fazer barulho nas trocas das marchas, ao mesmo tempo em que o diminuir a velocidade era ser feito sem nem se perceber os movimentos dos braços, pés e pernas, durante as trocas delicadas, precisas e seguras. Os primeiros carros eram pesados e aguentavam as batidas. Seguro? Nem se fazia.

Agora é uma questão de ter os aplicativos na palma de suas mãos e chamar um carro com dedinhos. Quem souber fazê-lo com os polegares, na nossa idade, terá alcançado o grau de Phd em smartphone. Tente. É divertido. Mas pode causar câimbras nas mãos, ao menos de início.

4ª. Além de largar seu carro, venda e aplique o seu dinheiro.

Só com o que você vai economizar se aplicar mensalmente suas economias reais pelo simples fato de não ter mais as despesas de um carro próprio, só esse cuidado já vai lhe possibilitar fazer uma viagem curta, mas nem por isso muito modesta, ao menos uma vez por ano. Sai muito, mas muito mais barato!

Já não fazemos mais viagens com tantas malas e pacotes pesados. Se fizermos será por pura desorganização e falta de planejamento da nossa parte. Você não precisa lotar seu bagageiro, como nos tempos em que os filhos eram pequenos e se levava de tudo. Mude isso. Está em moda, também, que os filhos colaborem com as despesas. Nas pequenas ou grandes viagens, na casa da praia e no sítio. Provavelmente eles ganham mais do que você, agora. Por que, então, permanecer no papel de patrocinador?

5ª. (ainda sobre mobilidade): Adote andar de metrô e pegar ônibus.

Além do tempo menor de deslocamento, tem muitas, mas muitas outras vantagens. A maior delas, para mim, é descobrir que o nosso povo é gentil e gosta de sê-lo! Muita gente vai lhe oferecer lugar, só porque reconhece a sua ‘cara de velho’. E isso é ótimo. Por que negar? Aceite as gentilezas. Cultive a boa educação, não só oferecendo, como recebendo alguns privilégios e distinção.

Têm, sim, os espaçosos e os que são mal-humorados. Porém creia: andar de ônibus enseja papos curiosos, troca de ideias, conhecimentos e informações de ordem prática. Jogar conversa fora é muito melhor e mais agradável do que se sentir preso num trânsito infernal, sozinho no seu carro.

Quem anda de ‘nariz empinado’, dentro do ônibus, vai ter verdadeiras lições de amabilidade e de civilidade. Você poderá, também, abrir mão de ter controle sobre tudo e vai se sentir mais livre e corajoso. Pegar transporte público de noite vai lhe mostrar que você é ainda muito capaz. E, no meu parecer, os riscos de assalto são bem menores do que você estar guiando seu próprio carro. Especialmente se juntar a isso uma leve e pequena bolsa, só com o essencial mesmo ou uma mochila maneira, sem chamar muita atenção. Se alguém lhe incomodar, proteste em alto e bom som, que a pessoa para.

 

 

6ª. Pare de falar de doença. Não a tenha por assunto principal, pelo amor de deus!

Tem muita coisa melhor para se conversar. Leia revistas, livros de crônicas, visite museus à tarde, vá ao cinema. E observe pessoas. Pessoas são curiosas e engraçadíssimas, mesmo quando estão ‘de cara feia’.

Bem, tem gente que mesmo feliz conserva a cara feia, porque é feia e isso não dá para mudar. Você é que pode mudar o seu olhar. Admire as pessoas, sem julgar nem querer mudar nada nelas. Se seus cabelos estão cuidados ou arrepiados. Se suas roupas combinam, se usam calçados e bolsas de boa qualidade ou já surradinhas. O que lhe importa como os outros se vestem, se têm todos os dentes ou se suas feições são delicadas? Pare de julgar a aparência alheia.

Você não é melhor do que todos esses pais, mães, avós, filhos e colegas, namorados e desconhecidos! O transporte público é um espaço de excelência para privarmos da diversidade e ir largando nossos preconceitos. Tenha consciência de que sua beleza não está na aparência, mas na soma de suas histórias de vida, nos seus conhecimentos superiores. Quem anda de ônibus e de metrô faz parte da Escola da Vida e é nela que mais se aprende. Tome tenência. E de vez em quando você vai se deparar com alguma beldade! Aprecie sem pudor, mas trate de não constranger a pessoa, ele ou ela.

7ª. Levante-se da sua confortável poltrona e ganhe tempo de qualidade.

Ver tevê é uma delícia, porém em doses menores, que ocupam menos espaço em sua qualidade de vida. É de doer, quando se adquire o mau hábito de horas e horas de tevê ao dia. Os noticiários repetem, repetem e repetem as mesmas coisas! Faça um teste – se ainda não o fez – não importa o canal, as notícias que estão sendo dadas num, são quase que simultaneamente dadas noutro! Quanta falta de liberdade e de criatividade.

Os noticiários ocupam hoje o lugar do jornal Notícias Populares. Lembra? As baixarias eram publicadas nas primeiras páginas, junto com assuntos de morte e de muito sangue. Pais que espancavam filhos. Bebês que nasceram com chifre e saíram correndo, dando risada dos médicos. A loira dos banheiros públicos. Gostosas com peitos de fora. Craques e um bom futebol (esses dois últimos tópicos, sim!). Gostosas sempre terão lugar de destaque, mas as tevês têm causado um grande desfavor à formação da nossa infância e juventude ao atribuir tanta importância às curvas, aparências e luxos de que a maioria não desfruta, nem nunca vai desfrutar.

Tevês veiculam marcas e produtos extremamente tóxicos para o consumo. A programação pouco realça o lado bom da vida, a cordialidade entre as mais diferentes pessoas. As notícias veiculadas têm por efeito ‘provar’ que o mundo está cada vez pior e que não dá para acreditar em ninguém. Programas de maior qualidade passam muito tarde da noite, quando as gentes estão dormindo.

 

 

8ª. Prepare suas refeições. Saia às ruas, mesmo que você saiba fazer compras pela internet.

Sim, use o que o beneficia. Introduza a tecnologia em sua vida, mas não perca a convivência com pessoas e produtos a céu aberto.

Não fuja do sol nem da chuva. Aprecie as mudanças das estações e frequente parque com cheiros da natureza. Caminhar por eles e ouvir os trinados dos pássaros, sentir os pedriscos sob seus pés – protegidos por tênis confortáveis e adequados – suar a camisa e parar para uma água, uma fruta, uma conversinha com desconhecidos, afagar cachorrinhos dos outros ou seus próprios, falando de gracinhas de cá e de lá, faz com que a gente se sinta mais leve e, com certeza, afetuoso.

É maravilhoso assistir como os cães brincam entre si, como seus donos também brincam, pulam e correm juntos, oferecem água e saquinhos plásticos para recolher as cacas daqueles cujos donos não trouxeram. Antes ficávamos – especialmente as mães – às portas das escolas, quando íamos buscar nossos filhinhos. Hoje encontramos nos parques os mesmos grupos de interesse e de afinidades e já não nos sentimos mais tão sós.

 

9ª. Aproveite para cuidar de seus netos o tanto que você não cuidou e não desfrutou da vida e do crescimento dos seus próprios filhos e filhas.

 

Conte-lhes histórias de família, sim. Os mais jovens adoram histórias e curiosidades sobre seus próprios pais, tios e primos. Malcriações, desde que não denigram a imagem dos pais, atrapalhadas, tudo que é contado sem maldade, aproxima as gerações e introduz a dimensão tempo-mudança.

Levar e buscar crianças à escola são atividade nobre. Não pense que é o que lhe restou, depois que se aposentou e parou de trabalhar. Não pense que você perdeu poder, só porque não é mais convidado aos grandes jantares e recepções. Mais do que nunca, as crianças e os jovens precisam da segurança, da presença serena de seus avós. Faça da sua casa o seu lugar de encontro. Prefira usar de seu poder natural de atração e de afeto, do que usar de força. Portanto, não os critique. Ensine-os como quem não quer nada. Só dê sugestões e não queira medir forças. Eles observam. Eles ouvem.

Caso você queira se impor a eles, você vai ficar sozinho. Cative-os com o seu sorriso e disposição para viver a vida de modo diferente. Remoce suas atitudes e eles perceberão. Não lhes diga para mudar. Mude você. Eles registrarão como importante tudo aquilo que você trouxer na sua bagagem de vida, aquilo que lhe der prazer.

 

 

10ª. Perca o medo de conversar sobre morte e herança.

 

Faça seu testamento vital ou disposição de suas últimas vontades. Antes de alimentar seus medos de ficar gravemente doente, largado sobre uma cama, sem poder decidir sobre coisa alguma e sem condições de levar uma vida de relacionamentos e dignidade, vá a um cartório e faça o seu documento.

Converse serenamente com seu cônjuge ou companheiro, companheira, se tiver, com seus filhos, netos crescidos e irmãos. Abra o jogo. Deixe seus documentos em ordem. Não legue bagunça e, de preferência, quite suas dívidas antes de morrer, especialmente aquelas que se transmitem aos herdeiros.

Faça, também, um testamento, dispondo de seus bens e propriedades e, se desejar fazer um agrado especial para alguém, disponha de seus pertences e objetos para pessoas especiais, através de um documento chamado codicilo. Assim, você poderá distribuir o que bem quiser para quem bem escolher.

Ganhe coragem para reconhecer seus filhos e filhas não assumidos. O que passou, passou. Antes que tarde demais, seja um cidadão, uma cidadã honrada. E siga sua vida sem vergonhas e humilhações, sem culpas desnecessárias. E, sobretudo, perdoe-se pelo que errou. Se sentir necessidade, também se desculpe com quem você ofendeu e procure reparar o erro feio em que incorreu e que lhe pesa até hoje. Você vai se sentir liberto dos medos e vai deixar muita gente mais leve e agradecida, junto com você.

Ana Fraiman, 71 anos, psicóloga com doutorado em ciências sociais, é autora do método Longes – Longevidade com Sustentabilidade e dos livros “O Chefe dos meus Sonhos”, “A Era do Javali”, “Coisas da Idade”, “Avó de Biquíni”, “Para ser um bom avô”, “Doutor@, o que Eu Faço?” e “Você Tem o Valor que Você Se Dá”.

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