SEXUALIDADE HOJE- POR RENATA FORNAZZARI

Falar sobre sexualidade hoje, tem se tornado algo cada vez mais comum. E diferente do que muitos pensaram ao ler o título deste texto, falar sobre Educação Sexual, nada tem a ver com ensinar as pessoas a transarem ou sentirem prazer.

Tem a ver com ampliar nosso olhar sobre aspectos da nossa Sexualidade. Algo que vai muito além do sexo. Aliás, sexo é apenas um detalhe em meio a tanto significado. Pode-se compreender Sexualidade enquanto um conjunto de componentes fundamentais para a formação de nossas personalidades. Tem a ver em como cada indivíduo se reconhece no mundo, a partir de suas crenças, medos, afetos, desejos valores etc.

Meu propósito aqui, não é trazer dicas de como ter uma vida sexual satisfatória após os 60. Tampouco discorrer sobre os efeitos da idade em nossos corpos na longevidade. Meu objetivo aqui é apenas trazer algumas reflexões sobre o tema, e ajudar a turma da longevidade a refletir de maneira mais ampliada e com menos tabus, sobre suas sexualidades. Afinal, aprender sobre nós mesmos é fundamental e independe da idade. Nunca é tarde para reconhecer aquilo que se é.

Há séculos nossa sexualidade vem sendo estudada, mas apenas de uns anos para cá, vem sendo explorada de maneira mais intensa em nossa sociedade. Isso, graças a quebra de muitos tabus, promovida por muitos daqueles que hoje, encontram-se acima dos 60. Nunca se falou tanto sobre o tema.

Não é raro nos pegarmos inseridos em rodas de conversas, onde indivíduos discorrem fortes opiniões sobre Feminismo, Direitos LGBTQI+, Sexismos, Masculinidades Tóxicas, Papéis de Gênero, Orientação Sexual, Prazer Sexual, Sexo na adolescência, Sexo na Longevidade, Relações Amorosas, Disfunções Sexuais, Transtornos, Fetiches…Ufa! Realmente são muitos os temas associados, e cada universo desse traz um leque de possibilidades, o que torna os assuntos ainda mais complexos, uma vez que envolvem opiniões distintas.

Difícil acompanhar todas essas mudanças, quando se passa grande parte da vida, compreendendo o lugar de “feminino” e “masculino” como algo muito bem estabelecido. Há poucas décadas, vivíamos nessa binariedade, assumindo-a enquanto normativa dentro da nossa sociedade. O que se reconhecia enquanto masculino pertencia ao homem, o que se reconhecia enquanto feminino pertencia a mulher. Elas, delicadas, cuidadoras e submissas aos desejos deles. Eles, brutos, provedores e dominadores dos desejos delas.

Gays, lésbicas, transsexuais, travestis, ficavam absolutamente a margem dessas definições, e por não obedecerem a estes padrões, eram vistos como anormais, e até considerados doentes.

Claramente houve muitas razões para que chegássemos a essa estereotipia. Da Grécia antiga aos dias atuais, já passamos por inúmeras configurações e, todos os papéis atribuídos a homens e mulheres, foram moldados a partir de interesses políticos e religiosos.

Do Cristianismo, passando pelo Industrialização, o nascimento do capitalismo, até a chegada da Revolução Tecnológica, na qual estamos inseridos hoje, foram séculos e séculos de transformações nas construções dos papéis de gênero e das noções de amor.

Conforme as sociedades vão se organizando nestes novos contextos, os comportamentos e os lugares que ocupamos vão sendo alterados. Os mais conservadores resistem as mudanças, mas sofrem ao não conseguirem acompanhá-las. Os que as defendem, sofrem de igual maneira pois, apesar de reconhecerem e aceitarem as mudanças, não sabem muito bem o que fazer com elas.

Definitivamente o mundo não é mais o mesmo, e a tecnologia é a principal razão para que as mudanças estejam acontecendo tão rapidamente.

Não podemos negar que, para a população 60+, os benefícios que a tecnologia trouxe são enormes e favorece e muito a longevidade, principalmente no que tange a saúde.

Se antes, as pessoas acreditavam que idosos não transavam, porque “velhos” não podiam sentir prazer, hoje sabemos reconhecer que transam sim, e graças aos géis a base de água e a pílulas que ajudam na ereção, que a vida sexual dessa população anda bastante ativa. Pelo menos é o que revelam os dados sobre o aumento exacerbado do HIV na população idosa.

E se o índice de contaminação está aumentando, é porque falta educação sexual para essa população. É preciso falar sobre desejo, afetividade, prevenção, riscos, mudanças hormonais, disfunções, relacionamentos amorosos e sexo, sem tabus.

As comunicações, as novas linguagens estabelecidas através de dispositivos eletrônicos, nos afastam do contato com outro e, se para os mais jovens, essa configuração está confusa, imagina para a terceira idade, que está descobrindo recentemente um novo modelo de relação?

Pois bem meus caros, tudo isso é tema de educação sexual, e não há nada que nos impeça de falar sobre isso, a não ser os tabus que nós mesmos construímos e descontruímos, ao longo de séculos.

Como mencionei anteriormente, sexualidade tem a ver com nosso ser e estar no mundo e se não falarmos sobre, acabamos nos anulando e negando aquilo que somos em essência, seres sexuais.

Reflitam!

Renata Fornazzari

Psicóloga e Sexóloga

 

 

 

 

 

 

Renata Fornazzari

Psicóloga Clínica,  Pós-graduada em Gestão de Pessoas pela PUC-Santiago/Chile e Especializanda em Terapia,

Educação e Saúde Sexual pelo Centro de Estudo e Pesquisa Hospital Pérola Byington.

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E-mail: renatapsisp@gmail.com

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